Juiz de Fernandópolis envia precatória em ação da Operação Trânsito Livre

Julho 08 / 2017

Um morador de Fernandópolis é réu na ação que provocava prejuízo ao Estado em mais de R$ 1 milhão por semana. Operações serão intensificadas

O juiz da 1ª Vara Cível de Fernandópolis, Fabiano Moreno, enviou carta precatória à 1ª Vara Federal de Foz de Iguaçu (PR) que integra uma ação civil por ato de improbidade penal contra um morador da cidade (comerciante) que participava de um esquema. Ao todo, 62 pessoas viraram réus na ação. Os autores da ação incluem o Estado do Paraná, a União e o Ministério Público Federal
Em 2014, policiais corruptos e intermediários faturavam pelo menos R$ 1 milhão por mês com a cobrança de propinas para liberar ônibus com contrabando do Paraguai em Foz do Iguaçu, no PR, segundo o cálculo divulgado pela Policia Federal. Cerca de mil ônibus de sacoleiros do Brasil cruzam por semana a Ponte da Amizade, que liga a cidade ao país vizinho. A "caixinha" por veículo abordado variava entre R$ 250,00 e R$ 500,00. O dinheiro era dividido entre os 40 policiais rodoviários federais, 14 intermediários que funcionavam como batedores e 1 policial civil envolvidos no esquema, segundo a PF. À época,, os 55 suspeitos tiveram a prisão temporária decretada pela juíza federal Paula Weber Rosito. Desde o início da Operação Trânsito Livre, desencadeada em 2014, a Polícia Federal prendeu 39 policiais rodoviários, 11 batedores e um policial civil. Outros quatro suspeitos, um policial e quatro batedores, estão sendo procurados. Nas casas dos acusados, foram apreendidos computadores, dinheiro - dólares e reais, e 15 veículos. Quatro delegados da PF começaram hoje a ouvir os rodoviários suspeitos. Eles estão detidos no 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, sob a vigilância dos próprios colegas de corporação, e podem ser vistos saindo livremente no pátio. A PF pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos principais envolvidos. Alguns deles ostentavam padrão de vida incompatível com o salário e indícios evidentes de enriquecimento ilícito, disse a assessoria de comunicação social da PF em Foz do Iguaçu. Além de veículos que custam R$ 50 mil, como uma camioneta Dakota e uma van de luxo, foram apreendidas quantias que variam de R$ 2 mil a R$ 10,1 mil em dinheiro nas casas dos policiais. Numa delas havia US$ 2 mil. Em dois postos de policiamento foram apreendidos R$ 11 mil - a "féria" do dia. Os policiais ganham entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por mês de salário bruto, mas teriam um rendimento "extra" de até R$ 20 mil, segundo a PF. "A lei garante aos acusados o direito de explicar a origem desses bens", disse Koren. Alguns veículos, segundo ele, estavam em nome de terceiros. O automóvel Pálio do policial civil tinha um adesivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um sofisticado sistema de DVD. Com o exame do material apreendido, mais os depoimentos dos acusados, que serão mantidos em sigilo, a PF espera chegar a novos envolvidos. As investigações foram estendidas aos destinos dos ônibus, principalmente cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, além de Vitória, Brasília, Porto Alegre e Goiânia. Por causa da operação, que mobilizou 200 agentes, a PF de Foz do Iguaçu não participa da greve que paralisa os funcionários em todo o País. A maior parte do efetivo havia retornado, hoje, para suas bases. Depois da ação da PF, a Polícia Militar Estadual e a Receita Federal também intensificaram a fiscalização em Foz. Um ônibus de sacoleiros foi apreendido na noite de quarta-feira na frente de um hotel e levado para o pátio da Receita. Os bagageiros foram lacrados. Foram encontrados contrabandos de brinquedos, eletroeletrônicos e cigarros. Parte do material foi apreendida.

Os comentários estão desativados para esta matéria.