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Mesmo alvejado, ex-motorista continuou a ameaçar família de ex-presidente da Unimed

Dezembro 27 / 2016

Constatações estão na sentença do juiz da 2ª Vara Criminal de Fernandópolis

A condenação do ex-motorista da Unimed de Fernandópolis, Ronaldo Henrique Barbuglio, a 17 anos de reclusão em regime fechado, rendeu algumas considerações e observações do juiz da 2ª Vara Criminal de Fernandópolis, Vinicius Castrequini.
“Ao que parece, a dependência que os réus Jarbas e Sueli passaram a ter do réu Ronaldo não parecia ser alvo de gratidão financeira suficiente para justificar a manutenção dessa situação, o que levou esse réu a criar um falso inimigo da família, passando a organizar, com uma testemunha o envio de cartas ameaçadoras e injuriosas ao réu Jarbas, além de combinar a realização de ligações telefônicas e ataques ao veículo da filha do casal.
Essa tramoia durou mais de oito meses e continuou existindo após a ocorrência dos fatos, e não sabe quando pararia, não fossem as prisões dos réus, conforme se notam das interceptações telefônicas que já foram bem apreciadas na decisão de pronúncia.Basta ver que, mesmo após a vítima ter sido alvejada, o réu Ronaldo remeteu nova carta para a família, novamente injuriando e ameaçando os réus Jarbas e Sueli, e mantendo a exposição da vítima a risco de novo ataque, conforme revela a conversa degravada dos autos de interceptação telefônica.Embora se trate de fato posterior ao delito, vem na mesma linha daqueles o antecederam, confirmando que o réu Ronaldo passou a manipular plenamente os réus Jarbas e Sueli; tornou-se seu consultor para vários assuntos e intermediário de vários negócios.
Daí ser possível dizer que o réu Ronaldo não é cidadão comum; não tem as inibições e ambições do cidadão comum; não enxerga o caminho para se chegar a um fim como um cidadão comum.Com todo o respeito que devo ao réu Ronaldo, é necessário afirmar que ele não é genial, não demonstrou inteligência acima da média, mas agiu com genialidade para criar sua trama, para criar um inimigo concreto para os réus Jarbas e Sueli. Nesse passo, se a premeditação é sinal de maior culpabilidade e de peculiar gravidade do crime, a trama criada pelo réu Ronaldo é algo a mais, a ponto de não encontrar termo jurídico suficientemente claro para qualifica-lo, sendo justo dizer que o neologismo seja necessário para a adjetivação. A trama do réu Ronaldo é hollywoodiana. A perversidade de amedrontar seus patrões, de lucrar com isso, de sentir-se importante e assim posar perante seus colegas de trabalho, e, ainda, levar seus patrões a ordenarem o ataque à vítima, revela a maior culpabilidade (intensidade do dolo) em um crime doloso contra avida, que já foi vista nesse juízo desde sua criação em 2007.As circunstâncias do crime, que são analisadas desde os atos preparatórios,

também são, pelas razões citadas, de máxima gravidade, considerando o tempo de planejamento.A capacidade de o réu Ronaldo conviver amistosamente com os réus Jarbas e Sueli e, às escuras, fazer o que fazia, revela deturpação de caráter, a configurar personalidade desfigurada para fins penais, deturpação que se confirma pela indiferença do réu diante do atentado efetuado e a insistência nas investidas que colocavam novamente a vítima em risco.Essas três rubricas, culpabilidade, circunstâncias do crime e personalidade do réu, merecem máxima reprovação e, assim, aplicação da pena base no máximo legal, 30 (trinta)anos de reclusão”, escreveu o magistrado por meio da sentença..

As condenações
O Tribunal do Júri condenou o ex-presidente da Unimed de Fernandópolis, Jarbas Alves Teixeira, e mais três pessoas pela tentativa de matar o médico Orlando Rosa. A sentença saiu na noite de quarta-feira, dia 14 de dezembro, após 36 horas de julgamento, que tinha começado na terça-feira, dia 13.
Orlando foi baleado no peito por um motoqueiro na porta de casa, no dia 12 de junho de 2013. Ele resistiu aos ferimentos.
Jarbas e sua mulher, Sueli, suspeitavam que Orlando Rosa seria o autor de cartas anônimas e telefonemas que narravam fatos íntimos do casal e fazia ameaças veladas.
A polícia descobriu que Jarbas e a mulher ordenaram ao motorista Ronaldo Henrique Mota Barbuglio que contratassem Rodrigo Marcos Sampaio para matar Orlando.
As condenações foram de 20 anos para Rodrigo, 17 anos para Ronaldo, 10 anos para Sueli e oito anos para Jarbas. Todos foram detidos após o julgamento. Ainda cabe recurso contra a decisão dos jurados.

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